Aprender a ficar sozinho

Ensinar um cão a ficar sozinho é uma das maiores dificuldades para a maioria dos detentores de cães. Não só pela percepção da metodologia a usar mas também pela dificuldade na aplicação da mesma. Uma visão humanizada do cão, aliada a um sentimento de culpa, impedem muitos donos de limitar o espaço dedicado ao seu animal de companhia.

Não ensinar um cão a estar sozinho, quer se trate de um cachorro ou cão adulto ( Ex: adoptado ), ir-se-á contribuir para o desenvolvimento de comportamentos que se manifestarão das mais diversas formas ( Ex: Vocalização excessiva, Destruição, Auto mutilação, Ausência de regras de higiene, entre outros ). Todos estes comportamentos podem estar associados ao stress e à ansiedade causada pela separação.

De forma recorrente e aquando a chegada de um novo cachorro a casa, os donos facultam uma liberdade excessiva ao cão. O entusiasmo e a novidade inicial são potenciadores de um tempo excessivo dedicado ao cachorro. No caso de um cão adoptado toda esta realidade toma proporções maiores. Com boas intenções os donos tentam de forma abrupta compensar no presente aquilo que eventualmente o cão não teve no seu passado.

O dia-a-dia das pessoas e todas as suas obrigações diárias, inevitavelmente, irão trazer grandes ausências de tempo. É nesta altura que os cães que inicialmente foram brindados com uma companhia desmedida vão sofrer o choque da ausência dos donos.

Para ensinar um cão a estar sozinho, devemos desde o primeiro dia que chega a casa, prepará-lo de forma gradual a ficar só e confinado a um espaço dedicado para o efeito. Este processo deverá ser repetido diversas vezes ao dia, no mínimo, durante um mês. Período no qual não podem haver intermitências ou cedências.

Para cães de apartamento ou para cães cujo os donos optam por ter permanentemente os seus animais no interior da casa, uma divisão especifica ou o recurso a um parque para cães, são opções a considerar. O parque para cães, desmontável, é uma opção muito interessante. Sendo o parque transportável, uma vez o cão adaptado ao mesmo, a mudança de local nunca será problema. O cão estará sempre identificado com o seu espaço.

Nos espaços usados para retiro do cão, podem existir objectos adequados ( de qualidade ) para roer ao invés de brinquedos. O recurso a um “Kongo” ( de qualidade e adequado ao tamanho do cão ) pode ser igualmente opção. Estes objectos permitem colocar comida no seu interior, estimulando o cão a procurar a forma de obter essa mesma comida. Esta ultima, normalmente, sairá por um pequeno orifício sempre que o “Kongo” for manipulado pelo cão.

A adaptação ao retiro do cão, inicialmente, deve ser feita ( na sua maioria das vezes ) quando os donos estão em casa. De forma gradual e com intermitência ( umas vezes curta outras vezes mais prolongada ) os donos passam junto do cão. Uma vez para o libertar outras apenas para mostrar ao cão que não estão longe. A repetição deste processo irá dar a percepção ao cão que os seus donos nem sempre podem estar perto, bem como a qualquer momento podem voltar, inclusive, para os recompensar. De salientar, nesta fase de aprendizagem, as partidas não devem ser acompanhadas de despedidas ( Ex: “Taaadiiinho, o dono já vem! Não fica triste!” – “O dono vai embora mas trouxe um biscoito” ). Da mesma forma, a chegada não deve ser efusiva. Quando assim não acontece, as despedidas marcam claramente no cão a ideia da separação, enquanto as chegadas uma excitação e descontrolo desmedido ( Ex: cães urinam-se, Cães mordem as mãos dos donos, Cães correm descontroladamente, Cães vocalizam de forma eufórica, etc ).

Neste processo de aprendizagem do cão e sempre que este esteja no seu espaço de retiro, nunca se deve ir ter com o cão quando existem sinais de excitação ( Raspar / Vocalizar / Saltar ). A associação deste estado à sua libertação ou aproximação dos donos, levará ao reforço do comportamento. O inverso ( ignorar ) levará à sua extinção. Este processo exige consistência.

No passado, pensava-se que para ter um cão era preciso muito espaço ou mesmo uma grande propriedade. Dizia-se que para ser feliz, o cão precisava de espaço para correr. Na realidade, o cão precisa de interacções com terceiros ( Ex: donos ), estimulação física e mental. Não menos importante, um cão precisa de regras e rotinas para que de forma saudável e pacifica possa estar integrado na sociedade humana.

Claudio Nogueira
( Coordenador Técnico )

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